Um dos 13 Parques Nacionais de Portugal continental é o Parque Natural do Alvão, este assume uma identidade única e especial!

O Parque situa-se na zona de transição entre o Minho e Trás-os-Montes, em territórios pertencentes aos concelhos de Mondim de Basto e Vila Real, abrange uma área total de 7220 ha e foi criado pelo decreto-lei n.º 237/83, de 8 de Junho.

Tem uma altitude máxima de 1339m no vértice geodésico do Alto de Caravelas, uma escarpa rochosa que se precipita nos vales do Corgo e do Cabril, e uma altitude mínima de 260m. A diferença entre cotas é de 1079m, podendo distinguir-se duas zonas com caraterísticas muito diferentes: uma de elevada altitude, com maior influência serrana, natureza granítica e declives suaves, e outra de baixa altitude, com maior influência atlântica, natureza xistosa e declives acentuados. Esta distinção promove uma paisagem fantástica!

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Fisgas de Ermelo. Autor: Rita Basto

É no Alto do Fojo que se observa o anfiteatro rochoso das Fisgas de Ermelo, onde o Rio Olo nasce a 1280m de altitude e desce fisgado por entre quartzitos do Ordovício Inferior, ao longo de várias cascatas de grandes desníveis, retalhadas e decoradas a amarelo devido à presença dos líquenes.

Rio Olo em Lamas de Olo _ ICNF

 Rio Olo em Lamas de Olo. Autor: ICNF

Os afluentes do Rio Olo com maior significado são a ribeira da Fervença e o rio Sião, situados na margem esquerda do Rio Olo, e a ribeira do Vale Longo, na sua margem direita, uma vez que contribuem para o abastecimento das populações, através de um sistema de levadas. Existe ainda a ribeira de Arnal, na zona sul do Parque.

As barragens da Fundieira e da Cimeira, situadas também na margem direita do Olo, são conhecidas pelo elevado interesse paisagístico que exibem. Esta última é um espelho de água gigante, repleto de biodiversidade!

A flora é imensa e diversificada! Estão inventariadas cerca de 486 espécies e destacam-se algumas plantas raras, como a rorela (Drosera rotundifolia), uma espécie carnívora que cresce nos terrenos encharcados e margens dos cursos de água, o cravo-dos-Alpes (Arnica montana) e a açucena-brava (Paradisea lusitanica), entre outras.

Lameiro com cravo dos alpes_ICNF, Henrique Pereira.jpg

Lameiro com cravo-dos-Alpes. Autor: ICNF, Henrique Pereira

Nas zonas mais elevadas do parque dominam os bosques mistos de carvalho-alvarinho (Quercus robur) e carvalho-negral (Quercus pyrenaica), associando-se o vidoeiro (Betula alba) na proximidade das linhas de água, assim como o amieiro (Alnus glutinosa), o sanguinho (Frangula alnus), o freixo (Fraxinus angustifólia), o salgueiro (Salix spp.), a urze-branca (Erica arborea), o feto-real (Osmunda regalis) ou o feto-pente (Blechnum spicant), para além de muitas hepáticas e musgos de excelência. Nas encostas mais viradas a sul, surge o sobreiro (Quercus suber), o medronheiro (Arbutus unedo), o loureiro (Laurus nobilis) ou o lentisco (Phillyrea angustifolia). Abaixo dos 600m de altitude domina o carvalho-roble, agrupando-se com o castanheiro (Castanea sativa), o pilriteiro (Crataegus monogyna), o azevinho (Ilex aquifolium), o arando (Vaccinium myrtillus), a gilbardeira (Ruscus aculeatus) e a linária (Linaria triornithophora). Muitas outras espécies poderiam ser citadas.

Carvalhal de Quercus robur_ ICNF, Henrique Pereira

Carvalhal. Autor: ICNF, Henrique Pereira

Toda a região é bastante rica em fauna, estando inventariadas cerca de 200 espécies! No Rio Olo, além de trutas, podemos encontrar a lontra (Lutra lutra). Em todo o parque é possível observar a águia-cobreira (Circaetus gallicus), o falcão-peregrino (Falco peregrinus), o lobo (Canis lupus), o javali (Sus scrofa), o corço (Capreolus capreolus), o texugo (Meles meles), a lebre (Lepus granatensis) e o coelho (Oryctolagus cuniculus). Entre os répteis podemos ver a salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica), o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e a víbora cornuda (Vipera latastei). E muitos, muitos outros maníferos, aves, reptéis,…

Lagarto de agua _ICNF, Paulo Barros

Lagarto-de-água. Autor: ICNF, Paulo Barros

A arquitetura tradicional é notável! Na povoação de Ermelo, com mais de mil anos de existência, observam-se casas de paredes de xisto e cobertas com lousa. Note-se, ainda, o pelourinho, os lagares de vara, a via-sacra de cruzes graníticas, os espigueiros, as levadas de água e a igreja. Na povoação de Lamas de Olo as casas, com telhados de duas águas, são cobertas com colmo, amparado por duas fiadas de granito. Realça-se, aí, a existência de alguns canastros e moinhos, com particular destaque para o moinho da Cruz.

Entre as massas rochosas emergem, aqui e além, campos de centeio, de milho e batata, lameiros onde se cria o gado maronês, e baldios em que se apascenta a cabrada.

Cabra bravia ICNF

Cabra bravia. Autor: ICNF

Como exemplo das artes tradicionais, mais representativas, temos a cestaria em madeira de castanheiro, os socos (em madeira de amieiro), os artefactos de lã, as cobertas, as passadeiras de farrapo, os chapéus de palha (a partir do centeio) e o linho.

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Parque Natural do Alvão. Autor: Rita Basto

O Parque Natural do Alvão é tudo isto e muito mais! Nada como visitar e explorar toda esta beleza natural!

Rita Basto, Green

Bibliografia (texto e imagens):

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