Um dos 13 Parques Naturais de Portugal continental é o Parque Natural de Sintra-Cascais, um lugar mágico!

O Parque situa-se entre o limite norte do concelho de Sintra, junto à foz do rio Falcão, e a Cidadela de Cascais, integrando a Serra de Sintra, a faixa litoral costeira e as áreas adjacentes.

Este é um Parque nutrido de uma imensa biodiversidade e repleto de significado histórico e cultural!

Carateriza-se, sobretudo, pela Serra de Sintra, com uma altitude máxima de 528m na Cruz Alta, em torno da qual se desenvolve um planalto que a rodeia completamente. A serra é conhecida pelo seu caraterístico nevoeiro, devido às baixas temperaturas que aí se verificam; a sua forma traduz uma barreira de condensação, mantendo sempre elevados valores de humidade. Na zona costeira, as magníficas arribas fósseis podem chegar aos 100m de altitude.

A ascensão do maciço teve início há cerca de 82 milhões de anos, formando-se ao longo de 35 milhões de anos até conferir o aspeto e a forma atual. Durante milhares de anos o Homem ocupou quase toda a área do Parque, contribuindo para a sua transformação, não só ao nível do património edificado mas também do património natural.

As primeiras povoações surgiram na pré-história, ainda hoje reconhecíveis através de vestígios como o monumento funerário do Monge. Durante cerca de doze séculos, romanos, visigodos e árabes deixaram marcas profundas no modus vivendi das populações que lhes seguiram. Alguns dos seus traços são observáveis no casal saloio, moinhos de vento e azenhas, sistemas de captação de água, fontes e fontanários. Os romanos denominavam a Serra de Sintra de Mons Lunae, o Monte da Lua, nome pelo qual é ainda atualmente conhecida. O povo muçulmano foi um dos que mais tempo esteve presente neste território, testemunhado por palácios e quintas.

Azenha da Samarra_ ICNF, Manuela Marcelino

Azenha da Samarra. Autor: ICNF, Manuela Marcelino.

No século XIV, a Vila de Sintra era lugar de veraneio da corte portuguesa. Gil Vicente dizia que Sintra era “um presente que El Rei D. Salomão tirou do Paraíso Terreal para mandar oferecer a El Rei de Portugal”. Com a ligação de Sintra a Lisboa, por meio do comboio, no século XIX, Sintra passou a ser lugar de passeio da burguesia da capital.

Cascais foi localidade de pescadores e lavradores até ao início do século XX, convertendo-se num destino turístico de excelência ainda hoje muito apreciado, não só por portugueses mas também por estrangeiros.

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Centro da Vila de Cascais. Autor: CMC.

Data de 1981 a criação da “Área Protegida de Sintra-Cascais”, no sentido de se preservar os diversos valores naturais e culturais. Só a 11 de Março de 1994, esta área foi classificada como Parque Natural. A 6 de Dezembro de 1995, Sintra foi classificada como Património Mundial da UNESCO, tornando-se a primeira “Paisagem Cultural” da Europa. Este foi um passo gigante para a preservação deste parque natural, demonstrando não só a sua importância a nível nacional como também internacional!

As 12 bacias hidrográficas do parque, das quais se destacam, pela dimensão, as ribeiras de Colares e das Vinhas, possibilitam uma imensidão de cursos de água que descem encaixados em vales estreitos até às praias e às arribas da costa, e facilitam a criação de uma grande diversidade de habitats, onde muitas plantas e animais proliferam.

Segundo estudos recentes, existem 900 espécies de flora autóctone, assinaladas na Serra de Sintra; destas, 87 são espécies endémicas, tal como o Juncus valvatus. É possível encontrar espécies-relíquia como o feto-de-folha-de-hera (Asplenium hemionitis), o feto-dos-carvalhos (Davallia canariensis) ou o samouco (Myrica faya). Quase todas as espécies de Quercus existentes em Portugal podem também ser observadas nos matos ou florestas. Próximo das linhas de água vivem o freixo (Fraxinus angustifolia), o amieiro (Alnus glutinosa), a aveleira (Corylus avellana), o salgueiro (Salix alba) e o ulmeiro (Ulmus minor). Musgos, líquenes e cogumelos encontram aqui um habitat privilegiado. Nas zonas de mato recentemente florestadas, encontra-se o pinheiro-bravo (Pinus pinaster), o cedro-do-Buçaco (Cupressus lusitanica) – espécie não autóctone de Portugal, mas muito bem adaptada – e o eucalipto-comum (Eucalyptus globulus).

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Feto-de-folha-de-hera. Autor: ICNF, Helena Luís.

A serra de Sintra assume valor máximo do ponto de vista da conservação devido à presença de populações de Asplenium hemionitis, trovisco-lauréola (Daphne laureola), cocleária-menor (Jonopsidium acaule) e azevinho (Ilex aquifolium). 

Algumas espécies exóticas, introduzidas no parque a partir do século XVI com as viagens transatlânticas, tornaram-se invasoras, como é o caso das espécies do género Acacia, mas também da árvore-de-incenso  (Pittosporum undulatum), da háquia-de-folhas-de-salgueiro  (Hakea salicifolia), da háquia-picante (Hakea sericea) e do ailanto (Ailanthus altissima).

O elenco florístico da faixa costeira é também muito variado. No Cabo da Roca ocorrem alguns dos maiores núcleos de cravo-romano (Armeria pseudarmeria), cravo-de-sintra (Dianthus cintranus subsp. cintranus) e saramago-de-sintra (Coincya cintrana).

Em 2014, o Parque da Pena recebeu a distinção de “Jardim de Camélias de Excelência” pela International Camellia Society (ICS), estando identificadas, atualmente, 285 cultivares, pertencentes a 5 espécies diferentes, nomeadamente Camellia japonicaCamellia reticulata, Camellia sasanquaCamellia sinensis e Camellia rusticana.

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Parque e Palácio da Pena. Autor: ICNF, Eduardo Gameiro.

Em relação à fauna, são mais de 200 as espécies de vertebrados identificados: 33 de mamíferos, mais de 160 de aves, 12 de anfíbios, 20 de répteis e 9 de peixes de água doce. A área protegida encerra valores faunísticos de grande interesse de conservação, designadamente a boga-portuguesa (Iberochondrostoma lusitanicum), a fritilária-dos-pântanos (Euphydryas aurinia), a víbora-cornuda (Vipera latastei) e a águia-de-Bonelli (Aquila fasciata). Também merecem reconhecimento o falcão-peregrino (Falco peregrinus), o bufo-real (Bubo bubo), o morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale), o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi), a geneta (Genetta genetta), a raposa (Vulpes vulpes), entre muitos outros. No parque podiam observar-se algumas espécies já extintas neste local, tal como o urso (Ursus arctos), o veado (Cervus elaphus), a lebre (Lepus capensis) ou o lobo (Canis lupus).

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Bufo-real. Autor: ICNF, Eduardo Gameiro.

Alguns pontos de interesse geomorfológico são a Boca do Inferno, um acidente resultante do processo natural de erosão dos calcários pela chuva; a camada calcária vertical marcada com pegadas de dinossauros na Praia do Rodízio e, ainda, o Cabo da Roca, o ponto mais ocidental de Portugal continental.

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Boca do Inferno. Autor: Rita Basto.

Na arquitetura, influenciada por todos os povos que por este território passaram, destacam-se as Azenhas do Mar, o Convento dos Capuchos, o Castelo dos Mouros, a Quinta da Torre da Ribafria, o Palácio Nacional de Sintra, a Ermida de S. Mamede de Janas, a Quinta do Relógio, o Palácio de Seteais, o Parque e Palácio de Monserrate, a Quinta da Regaleira, o Parque e Palácio da Pena, o Chalet da Condessa d’Edla, o Palácio do Conde de Castro Guimarães ou Torre de São Sebastião, a Quinta da Charneca e as Quintas em Alcabideche, os Fortes da Crismina e da Roca, a Peninha, entre muitos outros monumentos notáveis.

Castelo dos Mouros_ ICNF, José Ventura

Castelo dos Mouros. Autor: ICNF, José Ventura.

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Quinta da Regaleira. Autor: Simão Ribeiro

A Praia das Maças e a Praia Grande do Guincho são bastante admiradas pela sua beleza natural, além de muitas outras praias que o parque natural oferece. Em algumas, é possível realizar Surf, Bodyboard, Kayaksurf, Kitesurf e Windsurf. Ao longo de todo o parque existe uma longa rede de percursos pedestres, equestres e BTT, além de locais sinalizados para escalada, voo livre e outros desportos radicais.

Praia do Guincho_ ICNF

Praia do Guincho. Autor: ICNF.

Toda a paisagem do Parque Natural de Sintra-Cascais é absolutamente encantadora! Eu fiquei com vontade conhecer mais, muito mais! E vocês?

Rita Basto, Green

Bibliografia (texto e imagens):

  • Baltazar, Luis e Martins, Carlos (2005). Atlas do Parque Nacional de Sintra-Cascais. Sinta a Natureza. Junta de Turismo da Costa do Estoril – Parque Natural de Sintra- Cascais. Disponível em: http://www.icnf.pt/portal/ap/p-nat/pnsc/class-carac. Acedido a 13 de Junho de 2016.

  • Câmara Municipal de Cascais (CMC). Galeria. Disponível em: http://www.cascaisambiente.pt. Acedido a 14 de Junho de 2016.
  • Documentário produzido pela aidnature.org e patrocinado por Parques de Sintra, no âmbito do projeto BIO + Sintra. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9N0sUU_0Z9s. Acedido a 13 de Junho de 2016.
  • Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Parque Natural de Sintra-Cascais. Disponível em: http://www.icnf.pt/. Acedido a 13 de Junho de 2016.
  • World Heritage Convention. Cultural Landscape of Sintra. Disponível em: http://whc.unesco.org . Acesso a 14 de Junho de 2016.
  • Sintra – A terra e a gente. Documentário apresentado por José Hermano Saraiva. Emitido pela RT2. Disponível https://www.youtube.com/watch?v=8-LpRxFFLAc. Acedido a 14 de Junho de 2016.
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