As plantas integram uma grande diversidade de aromas que resultam da produção de óleos essenciais, armazenados em folhas, flores, caules ou sementes. Cada espécie produz óleos essenciais únicos, com diversas finalidades, seja a atração de polinizadores ou a repulsão de animais, a inibição da germinação de outras espécies vegetais ou, ainda, retenção de água. A quantidade de óleos essenciais depende, principalmente, da fase do ciclo de vida em que a espécie se encontra e das condições ambientais a que se sujeita, podendo variar. Os óleos das plantas têm vindo a ser usados desde a antiguidade na área da medicina, culinária e perfumaria.

No texto que se segue, deixo alguns exemplos de plantas com aromas marcantes, muito bem adaptadas às condições edafo-climáticas de Portugal continental.

As árvores podem ser bastante aromáticas! No que diz respeito ao aroma produzido pelas folhas e caules, podemos citar o loureiro (Laurus nobilis), utilizado como um tradicional condimento; a nogueira (Juglans regia), cujas folhas produzem químicos capazes de inibirem o crescimento de outras plantas, como macieiras, batatas ou tomates, e, ainda, o eucalipto-comum (Eucalyptus globulus), uma planta invasora bastante aromática, utilizada no tratamento de gripes e constipações, entre outras.

Quanto ao aroma produzido nas flores, temos exemplos como o castanheiro (Castanea sativa), de floração amarela entre maio e junho, com um odor muito fresco e singular; a cerejeira (Prunus avium), de flores brancas que surgem na primavera; o pilriteiro (Crataegus monogyna), de floração branca entre março e maio; várias espécies do género Tilia, utilizadas em infusões com efeitos calmantes, como a tília-comum (Tilia x europaea), de floração amarela entre abril e maio; espécies do género Magnolia, como a magnólia-sempre-verde (Magnolia grandiflora), de magníficas flores brancas entre maio e agosto, além de muitas outras.

Não poderia deixar de mencionar a árvore-de-quarenta-dinheiros (Ginkgo biloba), lindíssima e notável, considerada um fóssil vivo, cuja fêmea produz frutos de um cheiro insuportável. 

Ginkgo biloba

No que se refere aos arbustos, existem várias espécies que merecem reconhecimento pelas suas folhas aromáticas, como a lúcia-lima (Aloysia tryphilla), alimonada; a erva-caril (Helichrysum italicum), utilizada em cosméticos e fins culinários; a murta (Myrtus communis), de interesse medicinal; o alecrim (Rosmarinus officinalis), bastante usado em perfumes e como condimento; o hipericão-do-Gerês (Hypericum androsaeum), utilizado em infusões antidepressivas; a santolina (Santolina chamaecyparissus), de folhagem prateada e aroma citrino, entre muitas outras.

Existem também alguns arbustos com flores aromáticas, tal como a urze-branca ou urze-de-Portugal (Erica lusitanica), um arbusto ramificado de floração branca ou rosa que surge no final do inverno e início da primavera, atraindo essencialmente insetos como as abelhas; a laranjeira-do-méxico (Choisya ternata), com flores brancas entre março e abril, de fragância citrina e adocicada, muito semelhantes à laranjeira-comum (Citrus sinensis); o pitósporo (Pittosporum tenuifolium), de flores bordô com cheiro a mel; o jasmim-branco (Jasminum officinale) que floresce de junho a setembro, produzindo magníficas flores brancas muito perfumadas; muitas espécies do género Rosa têm fragâncias inebriantes, tal como a rosa-rubra (Rosa gallica), de floração rosa, entre outras espécies. A alfazema (Lavandula angustifolia) privilegia de um odor delicado e muito apreciado, tanto nas suas folhas como nas suas flores azuis-lilases.

Algumas coníferas também se destacam pelos seus caraterísticos aromas, como é o caso do falso-cipreste-de-Lawson (Chamaecyparis lawsoniana), o cipreste-comum (Cupressus sempervirens) ou o pinheiro-do-Oregon (Pseudotsuga menziesii). Várias espécies do género Juniperus podem ser citadas pela larga utilização das suas “bagas” aromáticas, tal como o zimbro-comum (Juniperus communis), de porte quase sempre arbustivo, com o qual se produz aguardente, ou o zimbro (Juniperus oxycedrus), de porte arbóreo, com larga aplicação cosmética e medicinal.

As trepadeiras são também muito odoríferas, o exemplo das glicínias (Wisteria sp.) é claro! O aroma das suas inflorescências, longas e penduladas, carregadas de numerosas flores azuis, brancas, rosas ou roxas, sente-se a vários metros de distância.

Wisteria sp.

Destacam-se, também, algumas herbáceas como a cravina (Dianthus laricifolius), espécie endémica, de flores rosa que surgem entre junho e julho; a salva-ananás (Salvia elegans), de flores vermelhas e aroma a ananás; muitas espécies do género Pelagornium com odores muito diversificados, como a malva-maçã (Pelargonium odoratissimum), a malva-noz-moscada (Pelargonium fragrans) ou a malva-menta (Pelargonium tomentosum); várias espécies do género Mentha, de perfumes díspares, tal como a hortelã-vulgar (Mentha spicata), hortelã-pimenta (Mentha x piperita), a hortelã-laranja (Mentha citrata) ou a hortelã-ananás (Mentha suaveleons); o tomilho-vulgar (Thymus vulgaris) ou o tomilho-limão (Thymus x citriodorus); o oregão (Origanum vulgare), de uma fragrância muita específica, muito utilizado como especiaria em pizzas ou massas; a erva-príncipe (Cymbopogon citratus), com folhas de aroma a limão, entre muitas e muitas outras espécies.

Como vimos, é possível construir jardins muito aromáticos! Para a plantação das plantas citadas é necessário estabelecer condições básicas para um melhor desenvolvimento e, depois de plantadas, ter atenção a alguns cuidados especiais. Gostarias de saber quais são?

Rita Basto, Green

Bibliografia (texto e imagens):

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