A Citânia de Briteiros é um dos conjuntos arqueológicos da cultura castreja do Norte Peninsular mais emblemáticos!

As ruínas arqueológicas da Citânia situam-se no Monte de São Romão, a uma altitude média de cerca de 300m, na margem direita do rio Ave. Foi entre as atuais freguesias de São Salvador de Briteiros e de Donim, a 14km da cidade de Guimarães, que se estabeleceu um povoado primitivo, de origem pré-romana e de cultura castreja.

A ocupação proto-histórica do monte, durante a II Idade do Ferro, subscreve o nome “Citânia”, palavra aplicada aos castros de grande dimensão; embora o monte conserve vestígios de outros tempos, desde o Neolítico até à Idade Média.

No Monte de São Romão são várias as rochas com gravuras que nos remetem para o universo pré-histórico. Existem, pelo menos, dois conjuntos de valor excecional, o “Penedo dos Sinais” e a “Bouça da Quinta do Paço”.

Penedo dos Sinais na Citânia de Briteiros. Autor: Samuel Silva e José Caldeira in Segredos de Guimarães.

Foi a partir de 1875 que Francisco Martins Sarmento realizou campanhas anuais de escavações na Citânia, colocando a descoberto grande parte das ruínas. Em 1910 o sítio foi classificado como Monumento Nacional.

O Povoado fortificado é composto por quatro linhas de muralhas. Dos 24 hectares de extensão total, apenas 7 hectares foram escavados. Nesta área foram identificadas a acrópole, delimitada pela primeira linha de muralha, 104 unidades domésticas (até ao momento), agrupadas em pequenos “bairros” ou quarteirões delimitados por vários eixos viários, sendo particularmente visíveis dois grandes alinhamentos que corresponderiam às mais importantes ruas da citânia.

Principais eixos viários na Citânia de Briteiros. Autor: Rita Basto.

A acrópole é atualmente ocupada pelo adro e pela capela oitocentistas, por baixo dos quais se conservam estratos arqueológicos intactos.

Unidades domésticas da acrópole na Citânia de Briteiros. Autor: Rita Basto.

Capela oitocentista da acrópole na Citânia de Briteiros. Autor: Rita Basto.

Cada construção, de forma circular ou angular, estava integrada num pequeno complexo, no centro do qual existiria um pátio. Estes complexos são bastante percetíveis na citânia, estando limitados pelas ruas ou pelas paredes meeiras de outros complexos.

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Construção doméstica, de forma circular, na Citânia de Briteiros. Autor: Rita Basto.

Construções domésticas, de forma circular e angular, na acrópole da Citânia de Briteiros. Autor: Rita Basto.

Junto das unidades domésticas é possível observar elementos de uso comum, como as mós e as pias.

Mós na Citânia de Briteiros. Autor: Rita Basto.

Uma das particularidades da Citânia de Briteiros é a “Casa do Conselho”, posicionada estrategicamente junto da primeira muralha. Neste edifício, de forma circular, teria funcionado um órgão colegial de decisão.

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 “Casa do Conselho” na acrópole da Citânia de Briteiros. Autor: Rita Basto.

Na Citânia existiriam, pelo menos, dois edifícios de banhos: um no sopé da encosta, a sudoeste, e outro, mais arruinado, situado a nordeste. Estes edifícios estavam implantados em pequenas depressões, parcialmente soterrados, e seriam constituídos por uma fornalha, onde se aqueciam blocos de quartzito e granito; uma câmara de sauna, onde se acumulava o vapor, espalhando água sobre os blocos, e uma antecâmara com funções de vestiário. A câmara de sauna e a antecâmara eram separados pela “Pedra Formosa”. Era a partir desta pedra que através de um pequeno orifício se entrava para a câmara, cabendo apenas uma pessoa de forma a evitar a fuga de calor. Existiria também um pátio exterior com um tanque de água fria.

Edifício de banhos na Citânia de Briteiros. Autor: Henrique Matos.

Pedra Formosa da Citânia de Briteiros no Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento. Autor: Henrique Matos.

O posicionamento da Citânia, junto ao vale do Rio Ave, assegurava o acesso às terras férteis e às florestas ribeirinhas, zonas para pastagens, recursos piscatórios abundantes e minerais.

No sopé da encosta cultivava-se o milho-miúdo, o linho, o trigo, a fava e a ervilha. A partir da cevada era fabricada uma bebida alcoólica; o vinho era importado em ânforas, um tipo de vasilhame frequente nos castros. O sal chegava oriundo da orla marítima. Outros bens eram importados do longínquo mediterrâneo, tais como colares e tecidos, e do interior litoral metais como o ouro, prata e estanho. A Citânia terá sido um mercado obrigatório para a troca de bens!

Vista da primeira muralha na Citânia de Briteiros para o vale do Rio Ave. Autor: Rita Basto.

Em Briteiros encontram-se vários vestígios de Romanização, tais como as inscrições rupestres em latim; o predomínio de moedas de Augusto e Tibério; algumas mudanças na urbanização da citânia, verificando-se algumas unidades designadas como “domus”, além de diversos utensílios de influência romana.

O espólio arqueológico destas ruínas encontra-se exposto, em Guimarães, no Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento, um antigo solar construído entre os finais do século XVIII e os inícios do século XIX.

Poderá fazer uma visita virtual à Citânia mas nada melhor do que visitar um lugar maravilhoso e cheio de história!

Rita Basto, Green

Bibliografia:

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