Neste artigo irás conhecer 8 plantas carnívoras existentes em Portugal. Mas, antes de mais, sabes o que são plantas carnívoras?

As plantas carnívoras são plantas com a capacidade de atrair pequenos animais, tais como insetos, aracnídeos, anfíbios, répteis, roedores ou aves. Depois de capturados, estas plantas ingerem-nos, por meio de enzimas digestivas, obtendo os nutrientes que necessitam para o seu favorável desenvolvimento.

Habitam, geralmente, em solos pobres, encharcados e ácidos (pH abaixo de 7). A pouca disponibilidade de nitratos nos solos, essenciais para a síntese da clorofila, é um dos fatores que tornam estas plantas dependentes do consumo de animais, uma vez que é através deles que obtêm o azoto (N) contido nas suas proteínas.

Estas plantas habitam com maior predominância no Sudoeste Asiático, América e Austrália, e em menor número no sul da Europa e África, podendo destacar-se quatro famílias principais como a Droseraceae, a Lentibulariaceae, a Sarraceniaceae e a Nepenthaceae.

Em Portugal, a proteção das plantas carnívoras autóctones presentes no território é promovida pela Associação Portuguesa de Plantas Carnívoras (APPC), criada em 2011. Pelo que se sabe, atualmente, estão referenciadas 8 espécies espontâneas existentes em Portugal, incluindo a Drosera intermedia, a Drosera rotundifolia e a Drosophyllum lusitanicum da familia Droseraceae e a Pinguicula lusitanica, a Pinguicula vulgaris, a Utricularia australis, a Utricularia gibba e a Utricularia subulata da família Lentibulariaceae.

O género Drosera:

As plantas carnívoras do género Drosera são compostas por pequenos tentáculos, nas suas folhas, que libertam gotículas viscosas e brilhantes; em conjunto com a própria coloração da planta atraem pequenos animais que ao pousarem sobre as folhas são capturados através da movimentação dos tentáculos e ingeridos pelas mesmas. Em algumas espécies os tentáculos são realmente rápidos, demorando apenas alguns segundos a capturar os animais. Existe um registo de mais de 180 espécies, com uma grande diversidade de formas.

Drosera intermedia. Fonte: Flora-on.

A Drosera intermedia pode ser encontrada em prados e turfeiras ricas em musgo do género Sphagnum, em depressões húmidas intradunares, margens de charcos, açudes e linhas de água, brejos e outros locais temporariamente enchardados. 

Drosera rotundifolia. Fonte: Flora-on.

A Drosera rotundifolia pode ser encontrada em prados encharcados, brejos e, também, em turfeiras ricas em musgos do género Sphagnum, geralmente em zonas de montanha.

O género Drosophyllum:

A única espécie representante do género Drosophyllum é a Drosophyllum lusitanicum, vulgarmente conhecida como pinheiro-baboso ou erva-pinheira-orvalhada. Esta planta é significativamente diferente, uma vez que habita em locais mais secos. O pinheiro-baboso pode adquirir o porte arbustivo, é ramificado e bastante aromático, com odor a mel. As suas folhas, cobertas de glândulas, em forma de “cogumelo”, segregam uma mucilagem doce, brilhante e avermelhada que é transferida para o corpo do inseto à medida que este se vai deslocando na planta. O inseto é assim asfixiado e, depois, ingerido na base da Drosophyllum lusitanicum.

Drosophyllum lusitanicum. Fonte: Flora-on.

A Drosophyllum lusitanicum é encontrada, sobretudo, em clareiras de matos (principalmente urzais), pinhais e bosques perenifólios (ex. sobreirais abertos), habitando em locais secos e substratos silíceos, de cascalhos ou xistos, algo perturbados.

O género Pinguicula:

As plantas do género Pinguicula usam os tentáculos das folhas para produzirem um líquido viscoso que confere um aspeto engordurado. Os insetos ao pousarem nas folhas ficam agarrados, acabando por ser decompostos pela planta.

Pinguicula lusitanica. Fonte: Flora-on.

Margens húmidas de charcos temporários, brejos, turfeiras, depressões dunares e clareiras de matos acidófilos húmidos (urzais-tojais),  escorrências de água em taludes ou cortes de caminhos, além de solos ácidos e húmidos, arenosos ou turfosos são as condições ideais  de habitat para a Pinguicula lusitanica.

Pinguicula vulgaris.  Fonte: Flora-on.

De momento, é conhecida apenas uma população de Pinguicula vulgaris na zona norte de Portugal continental. Esta espécie prefere locais como turfeiras, clareiras de matos acidófilos húmidos (urzais-tojais), taludes e rochas com escorrências de água, assim como solos ácidos e muito húmidos.

O género Utricularia:

Estas plantas são as mais evoluídas dos géneros referenciados. As Utricularias são aquáticas ou semi-aquáticas e compostas por um órgão capaz de “sugar” pequenos animais, após ter criado um ligeiro vácuo dentro do mesmo. Este género integra mais de 220 espécies!

Utricularia australis. Fonte: Flora-on.

Utricularia australis é encontrada em comunidades aquáticas em lagoas, charcos, açudes e outras águas paradas.

Utricularia gibba. Fonte: Flora-on.

A Utricularia gibba, também constitui comunidades aquáticas em locais como lagoas, charcos temporários, brejos e outras zonas húmidas em solos arenosos, perto do litoral.

Aqui fica alguma informação sobre as plantas carnívoras existentes no território português. Eu fiquei fascinada e com vontade de saber muito mais! Em breve serão adicionados novos posts sobre o mesmo assunto. Fica atento! 

Rita Basto, Green

Bibliografia:

  • Associação Portuguesa de Plantas Carnívoras (APPC). Disponível em: http://www.appcarnivoras.org. Acesso a 19 de julho de 2016;
  • Brittnacher, John. International Carnivorous Plant Society (ICPS). Disponível em: http://www.carnivorousplants.org. Acesso a 19 de julho de 2016;
  • Flora-on. Disponível em: flora-on.pt. Acesso a 20 de julho de 2016;
  • UTAD Jardim Botânico. Disponível em: http://jb.utad.pt. Acesso a 19 de julho de 2016.  
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