Neste artigo irás entender o que são as plantas invasoras,  quais as caraterísticas comuns e quais os problemas/impactes negativos inerentes as estas. Poderás também observar exemplos (alguns bastante surpreendentes!) e saber de que forma podes contribuir para o controlo da proliferação destas plantas.

Sabes o que são plantas invasoras? As plantas invasoras são plantas não nativas ou não autóctones, relembrando que uma espécie autóctone é aquela que é natural, própria de determinada região ou país, onde habita há milhares de anos em pleno equilíbrio com as condições edafo-climáticas do local.

Muitas das plantas que vemos não são nativas ou autóctones são exóticas, tendo sido transportadas do seu habitat natural/de origem para outros locais. Algumas das plantas exóticas coexistem em perfeito equilíbrio com as plantas autóctones, mas outras não. São essas que denominamos de plantas invasoras. Uma planta passa de exótica a invasora quando produz populações reprodutoras numerosas e separadas da inicial sem intervenção do Homem. Estas plantas desenvolvem-se muito rapidamente, num curto espaço de tempo, escapando ao controlo do sere humano.

Sabes quais são as caraterísticas comuns presentes nestas plantas? Na maioria das vezes, as plantas invasoras:

  • têm crescimento rápido e/ou grande capacidade de dispersão;
  • competem de forma mais eficiente pelos recursos, incapacitando as plantas autóctones;
  • produzem uma grande quantidade de sementes;
  • no local onde são invasoras não tem inimigos naturais;
  • reproduzem-se vegetativamente.

As invasoras causam perturbações ambientais e impactes económicos negativos! Mas… porque representam exatamente um problema? Porque não utiliza-las?

Simples, estas plantas:

  • são capazes de invadir áreas agrícolas, florestais e ou piscícolas, impedindo que as outras plantas proliferem;
  • podem provocar alergias, doenças e funcionam como vetores de pragas;
  • diminuem a disponibilidade de água dos lençóis freáticos, no caso de espécies muito exigentes no seu consumo;
  • causam impactes no equilíbrio dos ecossistemas e por conseguinte à biodiversidade, incluindo-se a alteração dos ciclos biogeoquímicos (ciclo do carbono e do azoto), a uniformização dos ecossistemas, a alteração dos regimes de fogo e das cadeias alimentares, e a competição com espécies nativas chegando, por vezes, a substituí-las completamente.

Em Portugal continental aproximadamente 15% das espécies exóticas têm comportamento invasor, no entanto algumas espécies apresentam esse comportamento apenas em alguns locais. Certas espécies com caráter invasor nos arquipélagos dos Açores e da Madeira não apresentam carácter invasor em Portugal continental.

Em 1999 a legislação portuguesa reconheceu a gravidade do problema no decreto-lei nº 565/99, de 21 de Dezembro. Neste decreto são identificadas não só plantas mas também animais e outros organismos com caráter invasor.

De seguida irás conhecer alguns exemplos de plantas invasoras, ou com potencial invasor, presentes em Portugal:

– Mimosa (Acacia dealbata)

Esta espécie produz muitas sementes que permanecem no solo durante anos. A germinação é estimulada pelo fogo. O género Acacia apresenta um grande potencial invasor, existindo uma grande diversidade de espécies invasoras (do mesmo género) registadas em todo o país;

– Bordo-negundo (Acer negundo)

Utilizado sobretudo como planta ornamental. É uma espécie invasora na Austrália, algumas zonas da Europa e é potencialmente invasor em Portugal;

– Olaia (Cercis siliquastrum)

Espécie com comportamento invasor pontual, mas preocupante, porque dispersa vigorosamente em carvalhal pouco perturbado;

– Cedro-branco (Chamaecyparis lawsoniana)

Espécie invasora nos E.U.A e potencialmente invasora em Portugal, regenerando espontaneamente em alguns locais da zona norte do país.

– Eucalipto (Eucaliptus globulus)

Esta espécie, uma invasora nata, germina, afastada das árvores-mãe, após o abandono de plantações, ausência de gestão adequada e/ou ocorrência de incêndios;

– Hortense (Hydrangea macrophylla)

Muito utilizada como ornamental nos jardins. Surge como invasora em alguns locais do país como nas ilhas dos Açores.

– Acanto (Acanthus mollis)

É uma espécie de introdução muito antiga, aparecendo muitas vezes referida como nativa. No entanto, a maioria dos autores referem-na como exótica. É invasora em algumas partes da Austrália e potencialmente invasora em Portugal.

– Penacho (Cortadeira selloana)

Produz muitas sementes e dispersa-se facilmente e em grande extensão, criando barreiras para o desenvolvimento da biodiversidade.

– Boas-noites (Mirabilis jalapa)

Espécie muito utilizada como ornamental com potencial invasor. É invasora na Espanha, China, Ilhas do Pacífico, entre outros, e surge principalmente em habitats perturbados.

– Tintureira (Phytolacca americana)

Utilizada na medicina e tinturaria, esta espécie é uma invasora frequente em campos agrícolas, aparecendo em habitats perturbados e semi-naturais.

– Agave (Agave americana)

Pode viver muitos anos, floresce uma única vez e morre depois de formar o fruto. É utilizada como ornamental. Reproduz-se vegetativamente originando novas plantas em pouco tempo.

Muitas outras espécies poderiam aqui ser referidas como invasoras ou potencialmente invasoras. Para saberes mais aconselho vivamente a consulta do site invasoras.pt e do Guia prático para a identificação de plantas invasoras em Portugal. Este guia adverte que o controlo da proliferação destas plantas passa por:

  • identificar as espécies invasoras e não as utilizar;
  • não contribuir para a introdução de espécies exóticas no nosso país;
  • não deitar restos de plantas exóticas na natureza;
  • não contribuir para a proliferação de espécies invasoras através de sementes ou outros propágulos;
  • organizar e participar em ações de controlo ou de sensibilização sobre plantas invasoras;
  • ajudar a mapear as plantas invasoras em http://invasoras.pt;
  • utilizar a linha SOS Ambiente e Território – 808 200 520 – ou escrever um email para sepna@gnr.pt no caso de verificar situações irregulares.

Espero que este artigo tenha sido esclarecedor ou, pelo menos, tenha contribuído para a divulgação de informação sobre as plantas invasoras. Estou certa que muito mais há a fazer para travar a proliferação destas plantas. Se tiveres alguma dúvida ou sugestão deixa um comentário.

Rita Basto, Green

Bibliografia (texto e imagens:

 

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